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Satélite recolherá lixo espacial da órbita da Terra

Postado por Henrique Cesar Ulbrich em 22/02/2012 23:00
Blog: Rock and a hard place

Karmômetro (?)

excelente
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Os cientistas pretendem lançar o aparelho em 2017

Por Guilherme Abati

Um grupo de cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, criou um satélite capaz de retirar lixo espacial da órbita da Terra. O satélite CleanSpace One tem custo de aproximadamente 18 milhões de reais e será o primeiro satélite destinado a reduzir a poluição espacial. Os cientistas pretendem lançar o aparelho em 2017.

Cerca de 700 satélites ativos estão orbitando o planeta nesse momento nos enviando sinais de televisão, rádio e GPS. Porém, a enormes chances de que eles choquem-se com os inúmeros detritos alocados ao redor da Terra. Segundo especialistas, existem cerca de 16 mil objetos com diâmetro superior a 10 cm na órbita do nosso planeta. A órbita terrestre está cheia de todos os tipos de detritos flutuantes. Desde satélites abandonados até pedaços de naves espaciais quebradas orbitam nosso planeta, segundo o Mashable.

“Tornou-se essencial ter noção da existência destes detritos e dos riscos existentes com sua proliferação”, diz Claude Nicollier, astronauta e professor da Escola. Após seu lançamento, o satélite de limpeza terá que ajustar sua trajetória, a fim de encontrar com o seu alvo. Então, o CleanSpace One vai agarrar o outro satélite. Depois, vai trazê-lo de volta à Terra – ou quase isso. Na verdade, cada detrito queimará quando reentrar na atmosfera – junto com o CleanSpace One.

Mas há vários problemas à vista, antes do projeto virar realidade. O primeiro, é que cada vôo custa US$ 11 milhões. Se forem gastos onze milhões de dólares para cada detrito ser tirado de órbita, vezes dezesseis mil detritos, a faxina vai custar módicos US$ 176 trilhões.

Logo em seguida, temos a tecnologia do braço robótico. Cada detrito – que deve ser previamente conhecido – tem um determinado formato, peso e tamanho. Portanto, precisará de uma garra especial, projetada só para ele. Mesmo que não sejam 16 mil projetos diferentes, eles serão contados às centenas.

Mais um problema: o cálculo de aproximação com o objeto a ser recuperado. Não é tarefa fácil, se considerarmos que os detritos estão orbitando a velocidades supersônicas. Além de serem difíceis de “acertar”, outros detritos em trajetórias diferentes podem colidir com o CleanSpace One.

Mas o problema principal é, como o meu e o seu, dinheiro. O projeto não é da NASA (ou ao menos norte-americano), nem da Agência Espacial Européia, nem de uma mega-corporação aeroespacial como a Hughes ou a Virgin. Pelo contrário, é um projeto de uma universidade – grande e importante, é verdade, mas ainda assim de recursos escassos.

Mesmo assim, a Politécnica de Lausanne espera conseguir os onze milhões num prazo máximo de cinco anos, para o lançamento inaugural do primeiro CleanSpace One. A partir do sucesso da primeira missão, o projeto espera conseguir financiamento da iniciativa provada. O Mashable opina que, como os prêmios de seguro para satélites danificados por detritos gira algo em torno de US$ 20 bilhões, talvez as seguradoras queiram “doar” para a causa – afinal, o número de detritos cresce todo dia, e o prêmio cresce junto.

Entenda o lixo espacial

O Lixo Espacial ou, de forma mais científica, Detritos Espaciais, são artefatos fabricados pelos humanos e colocados em órbita da Terra. Até aí tudo bem, o telescópio espacial Hubble também é um artefato humano e também está em órbita. Mas o Hubble tem sua utilidade, e pode ser controlado e manobrado pelo controle de terra. O lixo espacial, do contrário, não tem função alguma. São restos de satélites e peças descartadas de foguetes – às vezes, satélites inteiros. No maior estilo “saco de lixo no córrego”, até o “lixo doméstico” das estações espaciais é largado de qualquer jeito no espaço.

A maioria dos satélites e objetos considerados “lixo” já não podem ser controlados pelos seus donos. Por isso, é muito difícil fazê-los cair e queimar na superfície – sem falar que alguns possuem material radioativo em seu interior, e portanto não poderiam reingressar na atmosfera sem riscos ao planeta.

A maioria esmagadora dos detritos encontra-se na chamada “órbita baixa terrestre” (até 2.000 km de altitude). Mas há um número não desprezível objetos “mortos” ainda mais alto, desde a órbita baixa até a chamada órbita geoestacionária, a 35.786 km de altitude. 1

As altas velocidades envolvidas tornam a órbita terrestre um lugar perigoso. Grandes satélites (do tamanho de geladeiras ou pequenos automóveis) podem causar grandes desastres, mas as pequenas peças também podem trazer prejuízo (e risco para astronautas), por se comportarem como projéteis análogos aos de armas de fogo. Uma partícula do tamanho de um grão de areia, que pode atingir velocidades superiores a 14 mil km/h, pode efetivamente abrir um buraco de até três centímetros numa escotilha de espaçonave, que por sua vez pode trincar e romper-se na reentrada.

Ao contrário do que se espera, um satélite desativado pode demorar para cair. Segundo a revista USA Weekend, por exemplo, o segundo saatélite lançado pelos Estados Unidos, o Vanguard I, funcionou apenas por seis anos desde sua ativação em 1958. Mas está em órbita até hoje e não mostra sinais de que vá cair.

1 Trivia: a órbita geoestacionária é também chamada de Órbita de Clarke em homenagem ao cientista britânico e escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, que em outubro de 1945 escreveu um artigo para a revista Wireless World explicando como usar satélites para cobrir todo o globo terrestre com telecomunicações – algo só conseguido àquela época, sem satélite, usando Ondas Curtas, que têm uso limitado. O artigo, intitulado Extra-Terrestrial Relays – Can Rocket Stations Give Worldwide Radio Coverage? (Retransmissões extra-terrestres – podem as “estações-foguete” nos dar cobertura mundial de rádio?) está disponível no site da Fundação Arthur C. Clarke e pode ser obtido pelo endereço clarkefoundation.org/docs/ClarkeWirelessWorldArticle.pdf


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